Friday, September 22, 2006

São doces Loucuras proferidas durante meses, em que o texto está dividido em partes, uma elaborado por mim, outra pela Duende...Não quis diferenciar as cores por isso ficou tudo uno...
"...dedilhei o teu peito..."...como é bom tocar numas cordas e ouvir a melodia descair no seio da alma... desafinada sintonia que faz vibrar o olhar da tua pele... harpa tatuada nas costas... asas de sonhos... nocturna conspiração... Sonhos incorporados em fantasias dormentes que sepultam o calor...frio a resvalar de uma andorinha que dormita no seu pousio...saudosas pedras!... numa escarpa cintilante onde morre o mar... beijada pelos lábios de uma aragem salgada....para lá de um horizonte avermelhado num amanhecer rasgado no entardecer... sentei-me na beira desse abismo onde tu estás... onde os meus olhos te procuram e se espreguiçam na sonolência da espera... Acordar na lua desnuda com uma carícia salivante...os desejos de trovoadas a percorrer o ínfimo inferno do eco....é o mar...é o suave dilacerar das chamas...é a branca nuvem posta no pedestal de um vaso... são gotas de água que rodopiam no céu... raios de luz intermitentes... alvorada passageira... mãos de pedra que brotam da terra húmida... espinhos que rasgam a pele... Forças que se conectam no néctar de uma orquídea...o sufoco das mãos que numa selvagem carícia se mancham na ondulação da transparência... corpos nus que roçam o reflexo... que se desprendem e se agitam... pele mergulhada em licor... amargo encanto desencantado... amarras de fio... esculturas de verniz... Aspecto assustador da minha mascara que se calça sem se vestir...máscara de uma face visível que se espelha em águas de escultura de frágil... pedra... cicatrizes em fundas gargantas... farpas dormentes em veias geladas... e para lá desse espelho... tu estás... onde não estás... num castelo de cinzas ao vento... fecho os olhos... cheiro preso em frasco... A alma de sentir que o rasgo das brumas se acariciam no lugar das cinzas...o reflexo de mil fontes a brotar dos tempos... pálpebras descaídas...espadas erguidas... montanhas que acariciam o céu... que se vestem de nuvens... pontes de gelo sob fogo ardente... cruzada desdita... bússola estrelar numa escuridão encoberta... Horizontes que pernoitam nas pálpebras fechadas, nos lagos que transbordam...um desassossego profundo de véus...flechas do norte... ser... sem ser... claro escuro... eu tu ela ele vós eles e elas... nós... sim não não sim... querer sem querer... não vou dar o doce travo amargo à vingança... mordo o pensamento... Se apanhasse a verdadeira pétala do meu corpo...faria um licor...faria um néctar perfumado...as minhas ossadas vertem a amargura....dores e sabores... doces e rumores... teclas num piano murcho à espera da carícia de uma sinfonia... jardim de esculturas de luz nas sombras petrificadas... horizonte que nasce em gotas de água salgada... montanha que se ergue para lá dessa trovoada de emoções... Se tudo esbatesse numa melodia, nas cordas de um violino...esticar ao máximo e ouvir partir, e renascer no som que espalhou pelo ar.... folhagens....pedras de vidro penduradas em ramos quebrados... reflexos cintilantes... vibrações das sombras que se balançam nas notas de luz...braços alongados que embalam o pensamento distante... labirintos orvalhados que pernoitam na cor....despedaçados troncos que arrancam o oco vislumbrar da esperança... folhas emolduradas no espaço... nuvens rasgadas em céus de estrelas apagadas... palavras doridas... dedos de tinta derramada... rio negro de espuma salgada...asas que podem voar... Véus dilacerados em húmidas paisagens...verdejantes ilhéus que as pastagens devoram...sento-me na escada, vejo a luz, agarro os braços e penso no meu nariz....chuva que afoga o aroma que te atormenta... uma formiga sobe os degraus da tua perna... oferece-te uma flor... dia imperfeito na perfeição... agita o mar atormentado em falésias construídas sobre areia...grãos que cobrem o corpo num furacão de cheiros sufocantes... as escamas da minha pele espraiam na tua costa...marolas de espuma branca percorrem as tuas entranhas... sussurrar que contorna o teu corpo como trepadeira sem espinhos... ouço a tua alma suspirar... ou terá, enfim sido um gemido? Protecção da inovação...sublime desejo do inesperado, transformado na loucura dos sentidos...sentir a brasa do ouvido, dançar numa melodia de tactos... toques e retoques numa passagem de nível.... sensações em água num cálice de vidro... violetas que brotam nos fios do cabelo, regadas ao vento... os nossos braços giram como raios luminosos numa roda de sombra... Suave sensação do reencaminhar...desdobramento subido de folhas caídas...túneis encobertos pela sensação da flor de licor...aconchego de misturas... Doce mergulho no infinito... rodopio extravagante do vento... teclas batidas ao som da distância de uma luz... escuridão que nos embala... embalar a lâmina da transparência em cada frescura...o miolo do véu esboçado na moldura...pintura de traços altos, tão profundos que o sol ofusca a luz... estremece o mundo perante pulos de perfume do frasco entornado... raízes profundas que suportam um labirinto de águas turvas... éden banhado em tinta escoada... roupas que perfuram o odor...saltos de retoma que em ebulição ecoam...vestes negras, de alma negra, de troncos espessos, de uma infinita luminosidade que cega...densidade de cantos que ligam uma sinfonia de silêncio... altar que se ergue num peito deserto... cometa fluorescente que tranca as portas de um olhar... lago gelado de água com gás... oásis de giz em troncos caídos... montes caídos que se ergam em pedaços de terra...fontes que colhem as seivas do destino...lavram os vales em rostos serenos...
Desta vez...
Só por esta
vez...Mesmo que não haja vez...Vez que vês...Vês que não há vez...Mais uma vez...Virei as costas... outra vez...Desta vez...pela primeira vez...Trouxe-te comigo...



Trepadeira florida que amarra o tronco, lhe suga a seiva e sobe, sobe, para acariciar o céu...O tempo nas pedras, uma levada de água galopante...

Cada vale plantou um sorriso...

Cada socalco depositou uma carícia...

Serra abaixo uivou a doce melodia de desejo...Esculturas de gelo, guitarra de ferro...

Folhas secas reanimadas pelo vento...

Música surda de notas mudas...

Ritmo de uma dança sentada à beira da sintonia...Só por esta vez... mesmo que não haja vez...Pinceladas... cravadas...Só por esta vez... vez que vês...Existe...

Espada do medo...

Trespassa o humor...

Sangra os sentidos...Só por esta vez...

Vês que não há vez...Mais uma vez...

Descalça subida de pedaços...

Tocas que se envolvem em fugidios contornos...

Percurso que resvala pelas mãos...

Sobe até ouvir a Pena tocar a melodia...



Muralha fortalecida pelo som...

Coberta pelo negro céu...

Pela aragem de sombras...

Corredores que iluminam...



Cintilantes sumos de ossadas...

Numa colmeia a
refrescar...

Olhares de néctares...

Cantos de corvos...



Pirilampos picantes...

Saltitantes gigantes...

Fontes reinantes...

Fugas inebriantes...



Éden do tempo, em gemidos, em toques, em silhuetas...nas carícias de fragas...



(Olhando para trás, tantas reticências que parecem uma calçada descalça! Caminho até à montanha mais alta, até à gruta mais profunda!

Lendo para trás, pontinhos negros que desenham suspiros aqui e acolá, jogando às escondidas entre troncos de ciprestes que tocam o céu.

Resumindo o que está para trás, cosemos com a ponta dos dedos, uma manta de retalhos que nos cobre a nós próprios, nos acaricia ao de leve a alma (suspiro) dizendo tudo sem dizer nada!)



Caroços de metáforas, sementes de antíteses, gotas de hipérboles, zumbidos de imagens (gemido de luz)

Ergo o meu altar. Ergue o teu cálice. A que brindamos nós?





O violino toca num suspiro, em superstições em plenas aflições. O cálice erguido, retalhado ombro seu licor penetra. O som do gemido, a obscura sensação de percorrer labirintos, de gritar bem alto que estamos descalços. De olhar em olhar, o mel do fel, o pólen de pó visita a colmeia.

Levantemos de alto o vinho doce, do néctar, das silhuetas traçadas em palmas de mão estendida.



Corpos...

Dedos alongados...

Olhares quebrados... sentidos despertos...

Túmulos cobertos... Éden reinventado... Tronco adocicado...

Taças...

Licor transparente...

Reflexo ausente... Brumas de fumo incolor...

Dor... Carícia fumegante... Pedra distante... Liquido escorrido... Dorido... Esperança.

Lembrança...



A escada

Voltou a subir

Um pouco mais alto,

Um pouco no limiar do
céu.

A subir com alcance de estrelas

Numa cadência na espuma branca a desfilar

Uniu-se o contorno de pálidos olhares, na palma da mão

O calor embrulhado em lenços dedilhados, em cobertores enroscados

Se o sol levita, a lua acompanha, se o olhar se perde, o resvalar dos ombros enternece

Escada que sobe, que sobe os degraus...Escada que sobe pinta um altar...Escada que desce, sobe...



Dedos enraizados na terra húmida de um corpo seco... água gasosa em marés turvas... letras... ora notas... gemidos... ou suspiros... sorriso... em lágrimas... abraço... numa ausência... vida... na morte... flores... com pétalas feridas... sons... cravados no silêncio... doce licor... em cálice amargo... corpo despido... investido em armadura de pedra... beijo....visão de lábios rachados... espelho... reflexo apagado... Enfim... No fim... Sem fim...


O fim de haver sempre um fim...o último regalo da esperança...a inocência de ver o inevitável...rochas debulhadas...lágrimas desfeitas em masmorras...eco de ruídos repetidos com voz rouca num plano inclinado...profecia de fonemas num sopro agudo...sempre o mesmo alento da água...sempre o gélido caminhar do rastejar da alma...

O começo de haver sempre um princípio... a última dor do desassossego... a cegueira de olhar a vontade... contornos floridos... sorrisos despertos em asas de papel... melodia dedilhada que dança num disco riscado... destino tracejado a carvão num mapa negro de estrelas... sempre a mesma carícia das ondas em altas falésias... sempre o quente voar do desejo...

Um desejo...um mar...dois desejos...mar e um beijo...três desejos...mar, beijo e um abraço...quatro desejos...mar, beijo, abraço e uma flor...cinco desejos...mar, beijo, abraço, flor e uma sereia...seis desejos...mar, beijo, abraço, flor, sereia e a escuridão...sete desejos...mar, beijo, abraço, flor, sereia, escuridão e a luz. Sete estradas de cume afiados, de pedaços gelados...

Desejo de desejar... Escolha de querer... Vontade de caminhar... Necessidade de voar...



Mergulhar na imensidão... desfazer a areia nas ondas de espuma... acordar.... onde? no... Mar... nas dunas teu peito... brisa de uma Iniciativa... «



Recortar os lábios... humedecer os sentidos....pintar um retrato....pinceladas de um Beijo... dança de Harmonia... ««



Rasgar a armadura de espinhos... pele suada orvalhada... ossos entrelaçados em ramos secos... folhas verdes que nascem nas letras de um Abraço... tintas de Realização... «««



Semente desfolhada... caule que trepa a montanha dos sentidos... amarra florida em colunas despidas... uma Flor... licoroso aroma do Poder... ««««



Cabelos de sal... escamas prateadas... personagens de carne de uma imaginação submersa... viste uma Sereia? enrola os dedos na Aventura... «««««



Manto negro... Asas de morcego... demónio encantado no veneno que sangra as veias de pedra... Escuridão... o bater da Afectividade...
««««««



Bola de Cristal... interruptor de cordas... espelho de água... reflexo... Luz... o respirar da Intuição... «««««««



Rasgos de profundidade, descalços pés.... As sementes que voam, os furos que se aglomeram, as águas que deslumbram, os remos que sobem no altar, as velas que se excitam...Os contornos de barcos, de pedras rígidas, de mel cobertas...Que mistura nos leva a saborear o desejo?...o prazer?...o agasalho?...

A alma na rajada do tempo esvoaça...Violentos salpicos de sol entreaberto...pincéis que em gotas salgadas molham, o reflexo dum tempo que aconchega o canto da plumagem saliente...Sentir os pedaços...

Sossego desesperado de membros irados... sangue coagulado em poças de angústia... gritos sufocados num peito dilacerado... Borboleta nocturna tatuada na mão... dedos que esvaem na corrente de luz... Corpo nu envolto em tinta negra de caneta seca... espelho quebrado sem reflexo de aparência... silhueta recortada de cabelos ao vento... Olhar... brilho de água turva... círculos que rodopiam na fúnebre ilusão... sonhos queimados em grutas geladas... cinzas trituradas... migalhas amaldiçoadas... Máscara de cera... ausência de expressão... rosto desfigurado por garras melancólicas... rasgos de pele crua...


Tormento da língua trémula Amargos lábios de uma boca seca

Mudança de brando olhar, Visões desfocadas na neblina do olhar

Golpes sequiosos trespassados Feridas em flor

Espasmos nos vultos embaciados. Esculturas contorcidas no reflexo da água



Apregoo o vício de sentir Gritos monocórdicos trespassando o silêncio

O castigo dobrado, A punição rasgada....quebrado o vidro... cacos espalhados...

As linhas do desassossego Os traços negros que envolvem a tela crua

A mão singela enternecida. Dedos suaves de pele rachada...



Gosto desprendido de amar Querer sem saber sabendo não saber...

Dourada espuma nos rasgados lábios, Humidade que sobe as paredes da Alma

Murmúrio de reflexos Melodia...acordes encantados... notas agudas na gravidade.

Na saudade retorcida. Suspiros cravados no peito... sorriso derretido



Só em canto olhar

Retalhado na calçada... Só... não só... não estando só... só aqui... sem ti..



Uma carícia suave... doce, em brasa pelo teu corpo escorre...sobe na tua língua ... serpente sedenta...

mergulha no teu peito... afoga-se num gemido.. mordo teu cálice em fogo

quente entramos em nós... veneno licoroso que escorre...

possuímos o prazer dobrados nos nossos braços... abraço quebrado rebolado...

enrolados nos pedaços a ferverem do EXTASE.... Quente... muito...



Beijo das profundezas do inferno...enorme com rasgos húmidos, molhados, sufocantesRecebo-te em mim....Desfolhar tuas pétalas devagar, num sufoco doce...abrir tua arca...lentamente morder teus bicos...nos teus lábios ofuscar o desejo...dou-me a
ti...

O teu reflexo é suor que escorre na minha pele... meu regaço é poça de água suspirada... os meus dedos sobem devagar... cada degrau... cada poro...

Poros salpicados...fundo toco nas tuas células...quero que me sintas no teu dorso, em teu peito, nos teus lábios...dentro de ti...

Perdi-me do meu corpo...membros contorcidos pelas tuas garras... paraíso deserto fustigado por um vento frio... arrepio...

Um arrepio que entra em mim, que nos alimenta...nos devora numa sequencia forte de prazer...

Que prazer será esse que nos consome?ondas de espuma que vão e vem... que rebolam em cabelos dourados de areia branca... falésia desmoronada a teus pés...

Ardor áspero do
vontade....arribas altas que dilaceram nossos seres numa ventania...um trovão de cabelos a tocar

Ruínas erguidas... constantemente esvoaçadas... como castelos de cartas que se erguem e tombam com o peso do horizonte... fogueira acesa em troncos secos...



" Se calhar deve ser da aproximação da lua cheia ou será que existe um furacão no ar? Lua cheia...furacão...será isso uma subtil evocação? inspiração...sorrisos...será isso uma doce recordação? concentração...vontade...será isso maldição? transpiração da monção? ajuste no sertão? a mão no alçapão? cada trovão nariz aceso ao portão? almofada bordada a açafrão? murmúrios absorvidos num botão? cada sensação Com sabor a melão? camuflado como um camaleão? será que já tem pensão? que vida de cão ou na cauda do dragão? espirros desaguados em pão? imagens que deslizam nas notas do corrimão? perfume entupido nas grades da prisão adequação da motivação, adormeci na vastidão, na escuridão"





Conversa de Imagens



Amanheci num jardim de pétalas lilases... Da tua minha flor desabrochou um fruto... doce... contaminado por corpos nus regados pela neblina matinal... cordão mágico que dilacera meu cérebro e me leva aos condimentos da sabedoria... será verdade? Que a magia te faça voar doce demónio (Adoro sentir-te... Assim...) Erguem-se as Asas de um demónio em corpo de mulher... Conquistar o céu! Dominar... Celebrar... Espalhamento de caminhos... noite que envolve os ramos diurnos... teias que se formam em uivos lunares...Fullmoon...Magic... Máscara em noites fúnebres, em cantos de melodias... o lobo... A aranha... teia enredada em dentes afiados... patas longas que tropeçam num horizonte esfumado... Na Lua... Foge o destino, o som, o eco, abrem as fissuras... Fazes de um passado cíclico... criaturas esculpidas em ramos secos... Rosa da vida em espinhos amaldiçoados... Corte que desliza num rosto gelado em lágrimas de sangue... Envolvente em quente sedução... Beijo em cumplicidade abstracta... Voo... Imensidão negra com brilho milenar... Árvore negra, um céu desfeito... Uma miragem, uma esperança...Contraste de uma só vontade... Flor garrida em estrelas semeada... O que restou? Mordo a pulsação do tempo... em vão...




Carroças de carris nos conteúdos vagarosos, sobre o céu de romarias, estrelados monumentos que cobrem meus olhos... Queria... ouvi a porta bater... nem sombra nem fantasma, muito menos carne viva... restolho apodrecido em degraus lambidos... Mundos de mantos numa luz de ira. Suavidade enfraquecida de melodias dispersas em detalhes de poros. Convite de limites sem definição... Palavras... simplesmente letras... rodopio de frases... cornucópias sem sentido... onde está o significado? onde ficou aquela palavra que desfaz a angustia? porque roubaste o gesto preocupado? alguma vez o sentiste? o sentimento mora na porta ao lado... Não há ser que sufoca em suas águas que não agonia no seu pranto...queixume de dobradiças que acalmam as semelhanças sinuosas de obscuridades...Som em silêncio sepultado de recursos cruzados, de recursos de sombras...sombreado estou, nas grades recuo. Cinco...Quatro...Três...Dois... Um...conta outra vez...erguer um esqueleto amargurado... reconstruir um corpo nos dedos da esperança... tatuar a pele ao sabor de alfazema....mortalha rasgada que dança nas notas do vento...



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Letras da meia noite I



Golpeio a minha carne, risco a parede...tenho luzes nas mãos...tenho caixas de lembranças...cordas de violinos a esticarem...som de dedos que partem...Unhas pintadas de luz em mãos que beliscam as estrelas...mar que corre nas veias dum corpo amassado...pensamento em bolhas de papel escrito...piano que toca o peito...Dispo o corpo...cubro a alma...silencio a voz...amordaço o suor...participo na melodia...torço a saliva...movimento de buracos...sento-me a teu lado...fios de cabelos que dançam no meu regaço...os meus lábios passeiam no teu rosto...o teu corpo fica reduzido a teclas brancas e negras que dedilho ao vento...Tudo em grãos a rebolar nas teclas...percursos que desbotam, que acalmam, que entram, que devoram...perigo de querer a imensidão da porta...noites, dias, noites...tempo ancorado no cais da memória...range a porta no olhar petrificado...labirinto deserto na miragem sufocada...horizonte afogado num poço? suspiro.

Meu corpo adormeceu...afogado? não!

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Incertezas de condição mortal... rebeldia vulcânica hipnotizada pela vontade (in)voluntária...delírios floridos em lírios nas folhas de alecrim... nudez desgrenhada pela presença de um olhar amordaçado... dormente... infernal... momentos fugidios acorrentados em alcateias de lembranças profanas....flamejantes momentos... euforia (de)calcada em terra batida por passos que vão e vêm... cicatrizes adormecidas... água doce em cascata
salgada...



Teia tecida nos meandros de letras, retorcida em roupas rasgadas pelo tempo. São as voltas de cicatrizes que tocam em fragmentos descaídos, pernoitam nas chamas, adormecem em auroras. Tubo invertido num cone de um sólido imaginário. Rodopia na luz escondida, nas flechas de olhos, num coro uníssono da fama transversal...Foge o céu, foge a lua, foge o destino...o lábio de setas flageladas aquecem...



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Letras da meia noite II



Posso oferecer-te a minha mão para te embalar ao vento? A minha pele será o teu agasalho na noite de Outono...cheira a flores secas...a chuva transparente...Estou aqui ancorado no meio dum prazer solitário...sinto o teu licor no perfume da pele...observo a lua a pedir teus lábios...voo nas folhas secas...húmido...desejo...movimentos perversos fervem em suor desperto...corpos em combustão nos contornos de lábios gelados...encontro do prazer com a delícia de um doce sabor...Molhado no orvalho...vidros de contornos...brasas gélidas em faíscas...fervo em ebulição...peco, pego, fogo, cego, seco...transbordo em ti. Aconchego meus olhos no sono...aromática sedução...gemido fatal...carne desprendida no lençol...troncos encaixados no abrigo de um abraço...noite de meia lua...

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Um dia os dias serão a moldagem da fenda eloquente da história... os olhos estarão a rejubilar do som corrido da memória...grãos de areia no funil seco a esvaziar... água a transbordar de um cálice semeado... raízes reflectidas em lábios profanados... terra dorida... rasgada por um caule de trepadeira... cheirar a humidade do corpo de pedra...


Nas silhuetas de mãos que estão calcadas nos teus peitos, o vento do meu olhar desdobra-se...amadurecer os contornos de tecidos, em manchas de canais, em vitrais de socalcos...são torres de imensidão, são sepulcros de escuridão...são os sinais de sinos... manhã verde presa num raio de sol... entardecer maduro nas farpas de um olhar de mel... fruto nocturno cremado num abraço sufocado... corpos esfarrapados cozidos no delírio do inferno... abre-se o céu... ouvi os galos na manhã submersa...o escuro breu da noite, de olhos fechados caminhei...duas ou três badaladas ecoaram no meu restolho...saudade mergulhado no pranto, na alvorada de esquinas... paredes dobradas no silêncio de passos estridentes... pegadas de mãos quentes em corpo gelado... linhas que devoram o tormento do cheiro entornado... leito quebrado no desejo sepultado... lamparina acesa em néctar...A vida pendurada em pântanos de sufoco que sobem em moinhos de setas...mais um dia...respostas de céus, perguntas de pestanas, covas guarnecidas nos olhares...a estagnação dos pés de molduras...peças de fugas, de pousio lavrado, de saliências regadas...escavo sem instrumento... tesouros... fortunas... viagem ao centro da terra... labirinto coagulado que percorre as veias... serpente de escamas prateadas... abraço desfragmentado em vidros dispersos... lantejoulas de olhar de pedra... mais um dia...víboras ondulantes coroadas... caveiras geladas que estrangulam o sangue quente de um pescoço descarnado...esqueleto dividido que sobe por colinas dispersas, pelas asas de relâmpagos, pelo fogo de regaços...aninho-me no poder de sentir...na alvorada de plumas...no toque de velas que queimam...sela das fontes de água...retoques de mastro... inspiração feroz que tolhe os membros... batalha invisível de reflexos opostos... desejo aquecido que escorre pela armadura gelada... estou presa ao que de pior me corrói... libertar-me-ei de mim própria... voarei... alto... cabelos velozes... terei asas negras de luz... tenho asas negras... tenho luz... lá do alto procuro o trilho desse teu galope para sentir o cheiro da terra...tenho a vontade de sentir...de trespassar o instinto...de poder resvalar pelas árvores...de fixar o horizonte na brisa...de limar as arestas dos encontros...de viver cada pedaço no frasco....de assobiar em cada esquina...de pendurar as sobrancelhas descalças...de pintar o quarto no quadro...encontrar novos prazeres... bússola de ponteiros que queima a palma da mão... pétalas que tecem os traços contínuos do caminho... brisa que desenha os contornos de cruzamentos doirados...túmulos abertos... despertos... arejados.... coroados... asas prateadas que flagelam o horizonte... farol que rasga a noite nas cores de bolas de sabão...viagem a pingar no vestido transparente...arrepio...a luz que de pé em pé se levanta...correr atrás, levantar nas descidas, cores a dispersar na noite...fragmentos em círculos a esvoaçar, cada vez mais, cada vez maior, cada vez mais presente...desfolhar pétalas sobre o véu prateado... anzol contorcido em escamas eriçadas... túnel coberto por palavras decalcadas... labirinto de tonalidades que vagueiam na calçada descalça... sopro de medo em cabelos dourados... teclas brancas e negras batidas em melodia num peito descoberto.... enfeitiçado... quebrado...pintado em pingadas telas o céu escorre...corre nas veias...corre na alma...corre nas silhuetas...corre a fugir da sinfonia...corre para o abraço da ternura...a leveza do olhar no acordar da pétala...desfolhada cor de ouro... teias de mel que desprendem o aroma de um amanhecer florido... sonhos que brotam de cinzas... linhas esvoaçantes em desenhos nítidos no reflexo... nudez de pedra em carne ardente... anseios de um olhar... pinceladas saudosas num retrato sôfrego...sons em espaço a subir em ouro...colunas enfeitadas em cordéis, pétalas a descair do tecto...cheiro intenso em semi circulo no plano deitado...imagens de batimentos, assobio de casca de teclas...rodas em torno de pés, traços de olhos negros, lufadas de toques..."orgulhosamente sós"?...sossego de sentir o prazer à nossa volta....sonoridades estonteantes duma serpente de fumo baço... escamas que brotam em cristais... garras que cravam a alma... mundos sobrepostos em universos de trevas trespassadas por luz... lua dínverno... movimentos que deslizam no calor de poros enfeitiçados... invocações de prazer... cabelos enguiçados a voarem no leito derramado...escorre na parede, escorre na teia dos sulcos, escorre nos pedaços entremeados de pingos a saltitar...grãos de luzes, de raios, de
escuridão...a escuridão que penetra num sufoco quente de desejo, na permuta de peles....sangue derramado em botões de rosa desfolhados... altar que sobe na espiral de um cálice que transborda...néctar que escorre de braços abertos....contornos de uma cascata de poder estilhaçado... nudez desassossegada no reflexo da ausência... em colinas que a escuridão despertou levantam-se os cabelos: piscam o olho, tocam de fundo, permanecem dentro do ninho...quente evapora, na calçada feita...dançamos nas silhuetas, a circular entre folhas, a espreitar o apetite...aperto a tua mão na delicadeza do vento... escorrem por entre os dedos as notas leves... agitam-se na brisa os cabelos soltos... sensação de voar na terra com pegadas de pés descalços... folhas secas que crepitam no fogo do entardecer... tulipas que trazem o anoitecer... mistério de um doce sabor... gotas de estrelas que rumam ao mar...O vento sopra nos cabelos enguiçados, amarrados em espaços vazios na ossada do tempo...labirintos de pedaços que rasgam a neblina, pela noite dentro, pelas plumagens do orvalho...canto na esquina das memórias, dos demónios, dos anjos, alivio as palavras do seu sentido profundo...fortes rachadas de chuva de palmos largos cortam o vestido transparente...é um sulco de calor que beija o teu olhar, um cantil de suor que arrasta meu ser nas ferrugens de sons...descer por cima de ti, abraçar as gotas de agua que sobem em mim... o sol invadiu a minha janela... raios de luz gelada e cintilante... odor demoníaco amarrado aos lençóis... vontade que escorre por entre os dedos... voa veloz para se embrenhar nos teus cabelos... membros que aguardam o sinal dum olhar desassossegado... ruínas que se desfolham em labirintos doces de pedra... altar derramado numa ausência presente... celebração pingada em telas desvirginadas...do cima do murro setas em buracos aninhados...os olhos penetram em luzes que entram por cada fenda...angústia de cada segundo limitado no espaço...aroma da trajectória que os ombros em líquidos se misturam...orifícios de bruma a levantar no entardecer...manhãs que duram na substância das raízes...queimar até sufocar na doce melancolia de ficar... sacudir os grãos de tormento... purificar a pele nos salpicos de fumo... erguer nas arcadas o jardim semeado nos meus braços... acordar das amarras que petrificam o olhar... respirar fundo... arder no inferno da vida... arder no aconchego da morte... consumir os restos moribundos duma teia que baloiça nos dedos do vento... banquete de guloseimas desassossegadas... fogo de brasas que acarinham o frio dos ponteiros... são as ramificações do limiar de arestas que raspam na pele... fricção de poros de confiança, palpitam... sempre a busca de algo novo, parado... lenha que semeia novas descobertas, aquece... sorrisos que abrem de boca em boca, fecham-se... abertura do aroma calçado, descansa... são pétalas da lua, possuímo-nos... ecoam os uivos da deusa mãe senhora do prazer nocturno... dia quase cheio que se aproxima... dia... o dia... de noite...ponteiros torcidos que engolem o tempo... horas rasgadas numa terra de estrelas... pó... cinza... desfolhar a língua do pensamento... lamber a água que escorre no horizonte dum olhar... pestanas de uma carícia submersa... imersa em nós...


recorto o dia em tiras de cansaço...deixo a noite penetrar-me com o seu cheiro de agua fria... o corpo esvai por entre as notas dum piano...sinto-me só... ancorado debaixo de chuva..espero...tento acalma-la...em vão...cai para partir o vaso...sinto-me impaciente...nem danças de salão irei ver...cai a chuva... na minha janela florescem trovões...dos meus cabelos escorrem pétalas salgadas...nos meus olhos brilha a escuridão...dos meus dedos escapa o silêncio...a chuva cai...a agua descai ligeiramente...orvalho a esperança...ruídos da noite amordaçam-me...desvios na rua percorrem as folhas molhadas... humidade fresca cai...vou viajar... até a nossa montanha...os Himalaias...aproveito a boleia da tv...a humidade cai...sem pressa o tempo voa no planalto...em horizontes de frio, na solidão da imensidão...ordenhar os olhos, camuflando o odor salgado de lagos...vestes de cores acolhedoras...cores que aquecem a distância...terras agrestes floridas pela devoção...simplicidade que toca o céu...pedaços de movimentos pisados em tempos remotos...mudança disforme...dança do fogo...templos escondidos de água quente...beleza da transparência..meus olhos fecham-se no teu ombro (experimentar o jogo do tabaco)...galope de gritos empoeirados na batalha...bandeiras vitoriosas que se aquecem no fogo...identidade desenhada no olhar...que te atinja uma flecha de luz meu doce demónio...

os ponteiros que nunca param....
assim é o tempo
assim são as colmeias
assim é o sangue vivo
assim é a calçada
assim é a morte
assim é a vontade de respirar
assim são as carícias do mar na areia
assim são as mãos que tocam
assim é a musica que voa
assim é toque da pele que morde
assim são os rasgos do pensamento
assim é a lava que esvanece
assim é a agua que escorre
assim é o calor que pinga
assim são as vagas de pássaros
assim são as cores distorcidas
assim são as vibrações das raízes
assim são os cravos
cravados e encravados
pedrados e encastrados
cortados e arrancados
amordaçados e picados
desfeitos em proveitos
pim pim pim
tlimmm
catrapuz

A lua dobrada, no dorso espalhado a cor...a agua a escorrer pela lua, a banhar letras de músicas levanta os sulcos...toco o peito na ponte construída...União de montanhas por fileiras de estrelas...salpicos de luz no oceano das trevas...reflexo prateado num olhar dourado...braços estendidos por asas floridas...Espuma a saltitar na confusão...linhas de estrelas a pintarem o destino...silhuetas de corridas em traços marcados...ouvir o frio na miragem...Escrever o calor no horizonte cravado em tinta doce...letras que murmuram um sorriso...apelo confiante de dedos gulosos...teias lunares que cobrem o desassossego...Tecidos enroscados na pele...vastidão da festa do olhar...janelas cobertas de luz na escuridão da alma...carga pintada de fogo a rodar em chamas...dedilho-me...Corpo retalhado em cordas finas dum desejo inquieto...sangue a crepitar num corpo acesso pela ansiedade...a minha língua percorre esses poros descalços...Frio cortante, pele em gelo...cabelo descaído no pé de folhas secas...plumagem longa, doce com vontade de ficar...uma neblina de escuridão...Vento assado em brasas de Outono...prédios enraizados em ruas imóveis no rebuliço...voar nas calçadas húmidas...noite amena de correria...pedaços passados visitados... Rajadas de ausência no sono coberto...longo tempo que no manto se estende...rebuliço dum rebuçado que rebola nos ensaios do pó...Despertar no suspiro da ausência...pés que roçam desamparados...preocupação limada pelo toque...tempestade que dança lá fora que desapruma cá dentro...Saudade de ouvir o toque dos sons espalhados...a elegância do perfume de melancolia...palavras que voam em sinos de madrugada...olhos que se vestem para sossegar o desassossego Dia ensopado de chuva...olhos ateados ao vento...nevoeiro aproxima-se dos cabelos que aguardam a viagem...saudades dum cheiro evaporado nos ramos despidos (abraço) A corda arrancada à visão...mel num destino traçado...ferve o sabor de dedos salientes...abraço os pés na cor verde do desejo...sinais de transparência...Abraço de castanhas trincadas numa noite insonsa...vazia de agua...seca de vento...estranheza dum sono desperto... verde melancolia...cor da eterna esperança...


notas batidas em palavras pautadas por linhas invisíveis... espiral descendente em semicírculos fechados... piscar de manhã gelada... asas de tempo escorrido... quente reflexo dum ramo quebrado... tapete seco em olhos molhados...Pétalas de grandes plantações orvalhadas...cresceram em terras de florestas, na saliva de despidos olhares...foice que ceifou nas mãos quentes da humanidade...regar para crescer...decapitação de extractos compilados... seiva ensanguentada, doce, aromática que penetra nos poros duma terra desbravada... campo estendido na palma dum pensamento... cabeça que se inclina perante a espada da imaginação... gume afiado de olhares interiores... pálpebras empoeiradas... terna tristeza alegre... subtil emoção razão...humidade transparente no solto olhar, com a cor de saliências em sistemas de fugas...esconderijos que soam a festas de balões...inspirar as badaladas em fontes a ouvir o rasgo da risca profunda...toca-se fundo na repercussão, vibração de sacrifícios na pedra gelada...cada momento de delicadeza miram por entre locais escuros...forte o vento espreita...badaladas, pedra, balões, badaladas...corte indiscreto da noite que chama por calores intensos..fumo picante...flecha que arde num palmo das esculturas de argila...terra, agua, modelos de matrizes...dedos enterrados, engasgados, filtrando a melodia do calor...seiva de guloseimas a pedir a disposição de velas...cintilar num intenso brilho, a fundir na cadência da suavidade, ofusca a vista...perto, tão perto que derrete nos teus lábios...absorvo-me em ti...ventre que suga esse sangue quente... membros estendidos em poeira multicolor... luzes rasgadas por dedos afiados de escuridão.. vazio entornado ao sabor do vento... corpo aninhado em mortalha de vida... doce tormento ardente... arrepios que arrefem o silêncio da alma...temperatura que se levanta sobre a tempestade, rebola nos seus pergaminhos...labirintos de escultura em pele estendida, gritos de chamas que ardem...seca lenha que inflama...incendeia-se por entre cinzas derramadas de prazer...colocado pelos prados para se levantar com vontade de derramar as partículas...brisa que arde em lençóis revoltos... cheiro que escorre corpo abaixo... abraço voador num deserto florido... olhares fugidios mergulhados em taças de mel... altar que sobe nas escamas eriçadas duma sinfonia... notas de luz que rodopiam num manto negro...as ruas correm atrás de mim...correm por ossadas descobertas, por cortes abertos, por entre meus dedos...apanhar os fragmentos não despedaçados..apanhar cada pontinho que se encontra o vazio para se ter algo a voar...
parar... reparar... aconchegar...
deter... querer... viver...sorrir... ferir... ir...
sabor... dor... amor...

pés... morder... aninhar...
libertar... fortemente... sofrer....
voar... ser... pedaços...
denso... profunda... furacão...

voar correndo por entre uma calçada descalça... roçar o olhar na tua pele... sufocar no teu cheiro desperto... afogar as feridas nas colheradas dum sorriso... velas que revelam o reflexo... folhas secas jogadas na coincidência... na ausência presente... tabuleiro de quadrados definidos... oprimidos... vencidos... batalha de contrastes...

...anos que voam... sempre que a lua se levanta....
...esperanças que aumentam... sempre que a pétala persiste...
...tempo que escasseia... saudade do futuro...

espero... desespero... te quero...

que fizeste a cabeça?
rachei a cabeça a meio
com um machado ou com álcool?
com uma faca...
deixei a escorrer pelas tripas
tirei um ou outro parafuso de dentro e comecei a devorar a massa cinzenta
claro que fiquei com fome
como estás?
fome??? com tanto que comeste q a dor de cabeça deve ser por estares empanturrado
comi aquela pequenas coisas que saltitam..ainda tentei devorar meu olho
estou... de braços baixos...cansada de remar em vão
mas em vão
para onde remas?
contra a maré alta q teima em me sugar
no fel da sua espuma
e sua espuma é mais alta que o meu arbusto?
sou pequena para avaliar
de tão pequena que és não poderás ver melhor as laminas que cortam os seres?
sinto-as... fundas... profundas... e não tenho mãos que cheguem para amarrar o sangue que escorre
é preciso sugar o sangue na espuma? ou abrir a ferida para ela poder em mãos sensatas repousar?
deixei o corpo boiar... as feridas escorrem... talvez essas mãos me desagúem em terra
talvez ...talvez...se o mastro não estiver seguro ou a ancora bem pressa, o boiar pode ser numa deriva sem destino...
( qual a refeição vais comer hoje?)
é o mastro que me faz contemplar as estrelas...
ancora de sonhos plantados em terra firme fazem com que caminhe descalça
(sopa de peixe, ostras, polvo, presunto, paelha e porco preto)
descalça se fica, bem se fica...frios pés podem sempre levantar voo e remar para sítios mais altos...para as estrelas lhe beijarem as mãos...as mãos
( o porco preto deve ser melhor que o porco branco )
estendo as mãos... seco as asas nesse calor celestial...
aguardo o sopro do mel..
e se elas ficarem molhadas com o calor que derrete por entre luzes das fios das ancoras?
elas pingam de sal... serão os dedos do pincel que as escreverão de novo em tinta fresca
um mel doce , escuro, de aroma que profana os sentidos...mel que se resguarda em pés de calçada....
manto perfumado que embala os temores... garras de luz que rasgam o vento... saborear entranhas corroídas na impotência
(chegou o chefe posso demorar mais a responder)
(adoro as tuas palavras, adoro o teu gesto, adoro exprimir-me contigo...sinto-me bem em faze-lo e as vezes não sabemos como dizer certas palavras...mas elas voam por entre nós, pelo meio de nós)
palavras escritas no interior do desejo... no exterior do ser... palavras simples de significados suculentos
nestas palavras sinto-me bem...sinto-me de dizer algo, de ouvir algo...são pingos de letras que povoam o horizonte...são pingos de ir e progredir....
soam os sinos...soam as fendas abertas do tempo
são agulhas que desenlaçam novelos e tricotam sentimentos...
são lupas que nos ampliam a alma..
( por vezes tenho medo de sentimentos...são picos que adoçam a vida)
(sentimentos não são picos...são constantes...existem deles que nos fazem rir... outros que nos fazem chorar... estão sempre presentes... cravados em nós... amarras eternas...)
picos rasgam o que tem que rasgar para poder renascer uma nova pele
(os que adoçam são os que nos fazem sentir bem...e também podem existir sempre.. basta querer)
evolução... mutação... sensação... emoção... renovação...
querer não basta...é preciso fazer...fazer o rasgo e ver
coração...coração...coração...coração...coração...
já estamos perto da consoa
consoada??
sim
se cometi um erro vou ter que me benzer

raios de luz que trespassam nuvens melancólicas... reflexo dum horizonte que desagua em espiral... grãos de areia entornados em cabelos de vento... cálice ateado em altar de espuma... membros que sangram saudade... passado distante... futuro longínquo... presente presente... sente... quente... ente... mente... crente...

nevoeiro que passou no meu horizonte...sombra de neve que aninhou no pensamento...cumes que fazem levitar pântanos de mousse petrificada...o ar frio, quente sufoco, mordo louco, a lua não se põe...ir..prosseguir...acreditar...correr...sentir...

pernas pregadas na areia... vento forte... frio... sob um céu multicolor... reflexo dum olhar carregado de desejos... são uivos do mar que remam para um novo ano...
corpos aninhados no leito... lençóis esvoaçantes... sob um céu estrelado... ramos estendidos entrelaçados num calor de humidade licorosa... faíscas dum prazer desenterrado...
crepitar de desejos ateados por um fole silencioso... precioso... curioso...
quando o silêncio queima as palavras ditas por dizer... quando o silêncio é rei de gestos tagarelas... quando o silêncio... grita... esperneia... saboreia..

Noites serenas de vulcões em chamas,acalmam na areia molhada...Escorrem pela luzes,espalhadas num cobertor de estrelas...Apertos de alma num beijo de melDesce nas colinas, a serpentear...Sobe no tempo, devora tempestades...Um sorriso, dois sorrisos...

Imagens ofuscadas por trovoadas intemporais... peças dum puzzle vivo sem doce encaixe... curvas cortadas... recortadas... amassadas... melancólica visão dum dia voraz... pontes que sobrevoam vales inquietos... pedaços de luz dispersos numa neblina violeta... asas passadas a ferro...saltos de pedaços...pedaços de orvalho...sentimento nos grãos...mergulho na pele...rasgos de calma que nas nuvens voam...terapias de suavidade em loucuras de gelo...placas retidas no tempo...fogo que nas brumas voa... corpos fundidos num calor evaporado... melodiosos gemidos que esvoaçam pelas paredes... batimentos descompassados de notas em sangue húmido... raízes que deslizam no reflexo nu duma pele viva... contornos que se fundem em colheradas de prazer... flores quentes em grinaldas estendidas no altar do olhar... pegadas de lábios sôfregos... Adormeço no teu calor, sobre teu peito, nas escamas das costas, no balanço das tuas pernas...fundo em brasas, na espuma do teu pescoço, pela doçura da tua língua...aqueço, evaporo, fico no nosso prazer...GOSTO DE TI, na tulipa do horizonte...pétalas de névoa que embalam o berço... rodopio de palavras que vão e vêm em minutos eternos... sílabas doces em lábios pingados... letras derramadas em chávenas de café... tragos que rasgam a garganta... pegadas nuas delineadas em areia molhada... SINTO A TUA FALTA, na teia da noite escura... caldo ensopado em estilhaços de morna manhã...a pele aberta nos orifícios da palma da mão, no rosto cinzento de um dia claro...sabor moderno de linguagem antiga submerso nas letras que tem que entrar...resistência da espuma a orvalhar-se...sangue coagulado à beira do inferno do silêncio... corpo despedaçado pelas garras dum remoinho de licor... escamas eriçadas num precipício de calor condensado... poros entristecidos na claridade duma voz muda... mágoa que escorre nos beirais do telhado duma alma evaporada... ruas que se perdem num labirinto que teima em se afundar no escoamento da espuma... regresso à minha lápide de pedra para me cobrir de vazio... frio...

Portas de granito que em labirintos se escondem... nascem em jardins, fogem nas águas, escondem-se em quentes mantos...apertados canos que na luz desertam em silêncio...Na vida da escuridão ouve-se salpicar as teias, os gemidos de traços...união de estreitos trilhos que em vulcões fumam para o céu, nos momentos de maior aflição...aberturas de céus, deslize de fatias sufocadas pela prisão de ficar...
Linhas que se contorsem em gemidos... chama intermitente num pavio molhado pelo silêncio da saliva... luz trespassada por asas de vento... escamas eriçadas na ausência duma presença esfumada... rosto esbatido num corpo despedaçado em ilusões voadoras... sonhos ofuscados por trovoadas de licor...

Falta uma linha de amor

Última vez que a nossa essência saiu....


ao contrario do teu barco o meu anda a deriva num mar quase sem onda...
ondas vão e vem
como de trovões de mel adoçam ou tocam o fel
como notas que arrepiam ou que rasgam a pele
como a maresia de sentir a paixão a saltitar
como o aroma duma alma ausente
como a brisa dos pés a tocar nas letras
como palavras nuas tatuadas no peito
como o amor de pingar a saudade
como a vertigem de querer sem querer
como o ter e cantar sem cordas para vibrar
como não ter e vibrar nesse teu ter
como sentir o transbordo de ficar
como linha de horizonte invertida em trovões
como do aroma das nuvens caiem desejos
como nas gotas de chuva cintilam suspiros
Como da lava que pinta os corações, derrama
como sangue coagulado em ruas perdidas em labirintos de emoções
Como dados de perfis que se unem
como linhas que se cruzam em tinta escorrida
Como peles que mergulham no amor
como teias que se espreguiçam na humidade
Como a pureza de sentir a alma espalhar-se
como agua turva em nascentes melodiosas
Como correntes que desaguam no quente mar
como amarras desatadas que prendem o perfume
Como aberturas que pingam na ampulheta
como tempo escorrido em momentos fixos...
Como a lavagem do puro sangue
como lapide acesa em altar florido
Como o prazer de roçar nas brasas
como ramos despidos em troncos de mel
Como os troncos de esqueletos que se perfumam
como escamas eriçadas pelo olhar vendado
Como de cego tocar, de alma amar
Como de reflexo ser, de luz negra sentir
Como duma gruta de gritos de luz a desejar
como sementes imersas em poças de sentir
Como salpicos de mar a soletrar...
como espuma que se contorce nos braços da areia
Como tornados de terramotos que erguem as árvores
Como corpo esvaído por entre palavras retalhadas
Como a pureza da língua soltar em palavras sentidas
como a simplicidade te bater letras iluminadas na ponta dos dedos
Como o trio de calçar o caminho, de pedra, em pedra
como a dança de saias dum olhar afundado no mar
Como o levitar de sonhos que enlouquecem na mente
como o amanhecer da madrugada da alma
como a paixão de conhecer e ter um baú para guardar
como o amar e não saber como sobreviver
Como estar num cometa e ver a cauda a fugir

1 comment:

borrowingme said...

feliz dia de são valentim
bjs